MMLN – Vence Copa 197 anos de Santana do Livramento

MESTRE MINEIRO LÚCIO NASCIMENTO – personalidade do ano em Juiz de Fora, MG

Manhã do dia dois de agosto um domingo. O relógio deveria estar marcando por volta das 06h30min a julgar pelos primeiros e escassos raios de sol que ao leste começavam a tirar da penumbra o alto da Capela São João Batista acordando as dezenas de pombas que costumam dormir no campanário. Elas sabem que cedo ou tarde o vigário da paroquia que tem por hábito de quase 50 anos de domicílio naquela casa santa para os Católicos começa a balançar freneticamente de forma harmoniosa os quatro sinos pesando meia tonelada cada um anunciando aos fiéis que dali um pouco terá início a missa dominical – e as pombas que de bobas não tem nada  aprenderam que é melhor acordarem antes do padre. Se for verdade que as aves têm audição, as ancestrais destas pombas aprenderam da pior forma que não é nada agradável levar aquele susto ensurdecedor logo de manhã. Mas como um mantra ensaiado todos os pássaros anunciavam a chega de mais um domingo naquela pacata cidade mineira de Juiz de Fora.

Porém as ladeiras demoram a ganhar vida. Seguindo a boa e velha tradição mineira interiorana onde muitas famílias provem seu próprio café da manhã fazendo pão caseiro, leite tirado quase na hora da vaquinha que aguarda calmamente a ordenha no curral mosquedo de insetos já naquela hora matutina, manteiga batida e sem esquecer o famoso queijo minas e o delicioso e não menos incomparável pão de queijo.

O relógio não para e a manhã vai passando rápido. E perto das 10h30min – nas cercanias bar do Cabeça dois personagens tipicamente mineiros se encontram. Mesmo sendo inverno não fazia frio. Um deles aparentando uns sessenta anos a julgar pelas rugas – barba e cabelos  brancos trajava uma camisa clara com fundo xadrez claro aberta até altura do umbigo, deixando à mostra um abdômen dilatado e calças de tergal cinza com chinelos de dedos não escondendo sua vida de trabalhador rural a julgar pelas unhas  compridas e longe de estarem limpas.

O outro um pouco mais apessoado. Apesar de um tanto extravagante trajava uma calça vermelha cor de sangue, camisa volta ao mundo verde abotoada até o pescoço, bíblia debaixo do braço esquerdo e do outro uma sacola contendo produtos desconhecidos. Deste segundo personagem também se notavam os sapatos impecavelmente lustrados e de um negro profundo lembrando uma noite de Lua nova e seu chapéu de palha.

Ao longe não era possível fazer uma linguagem labial. Pelo menos para quem não conhecia o sotaque e gírias do local. Um deles, o que tudo indicava estar vindo de um culto religioso ou missa dominical ostentava no canto esquerdo da boca um cigarro do tipo palheiro só que sem sinais de estar aceso que se mexia para cima e para baixo quando falava dificultando o entendimento à distancia. O outro só movia a cabeça – ora concordando e por vezes dando a entender que não concordava.

O que esta dupla estaria conversando.  Enfim ao chegar mais próximo e encostado na esquina das ruas Açaí com Francisco Queirós Caputo – já bem distante do Bar do Cabeça, pelo menos duas quadras – ouviu-se que um deles comentava sobre o ocorrido numa casa lá mais abaixo que teve uma movimentação a típica para o bairro. Mais uma vez o sexagenário, em tese, que pelos indicativos nada sabia pelo balançar da cabeça a cada fala do parceiro.

“Sabe – disse o almofadinha e bem vestido, tiveram que chamar até a polícia para dispersar os curiosos e a multidão que se glomerou frente a casa de número 50 da rua  Roberto Delage Faria! Até um camioneta Van de televisão, acho que no lado dizia Sport Teve, não tenho bem certeza. Teve correria quando chegou a polícia com spray de pimenta. E quando perguntei para uma jovem que parou procurando suas amigas – ela respondeu que algo aconteceu na casa do seu Lúcio – aquele homem que mexe com eletrônica!”, disse.

Neologismos a parte – não foi fácil saber onde começava a estória e se transformava em história.

Dito e feito.  A curiosidade matou o gato – pelo menos é isso que contam no ditado popular. Era realmente o pessoal do Sport Tevê para entrevistarem o Lúcio Nascimento que havia tornado ídolo mineiro ao circular nas redes sociais que havia vencido de forma magistral – se igualando ao mestre Mequinho, o gaúcho – um grande torneio internacional de xadrez. Lúcio jamais imaginara que esta façanha iria ganhar as manchetes de um canal de Tevê por assinatura. E não foram apenas estes. O jornal local e algumas emissoras de rádio foram o chamarisco para aquela multidão que lhe rendeu fama que precisou de proteção policial.

Os dias que se seguiram foram como leite derramado que queima na chapa do fogão. O cheiro demora a passar. Mas como nem tudo são flores e até estas tem vida curta – aos poucos pôde, ele,  sair de casa com mais tranquilidade. Mas sua imagem na Tevê e  fotos nos jornais  lhe conferiram notoriedade que por vezes era reconhecido e a correria começava. Uns desejavam autógrafos, outros fotos e até tinha aqueles que desejavam tocar e abraçar o novo ídolo da cidade. Lúcio temendo por sua segurança e transmissão do decantado CONVID 19 dava sebo nas canelas e corria o quanto seu arquétipo aguentava.

Engana-se aquele que pensar que é apenas sopa e mingau quente te toma pelas bordas. Assim como não é recomendado a um eventual afortunado que ganha numa extração milionária da loteria sair desfilando à toa se colocando em risco ou se encher de falsos amigos pedintes que logo se converterão em inimigos.

Como tudo na vida devemos ser prudentes e cautelosos, pois esta, pode te trazer surpresas – hora favoráveis, hora não, de tornar as coisas previsíveis, fatos que nunca se tornam realidade em rotinas no cotidiano do indivíduo.

Assim é com o xadrez. De repente o inesperado acontece. É raro. Neste esporte que é conhecido como a terapia da lógica e ginástica da inteligência o corolário é simples. Assim como segundo o princípio físico  da impenetrabilidade da matéria onde dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço e ao mesmo tempo – no xadrez o mais forte sempre vencerá o oponente fraco. Com raríssimas exceções, seguindo esta linha de pensamento é mais provável acertar os números da Mega Sena do que um enxadrista fraco derrotar um mestre.

E neste quesito CAUTELA ninguém foi melhor do que o mineirinho de Juiz de Fora Lúcio Nascimento. À distancia, julgando pelas fotos enviadas para organização ele tem o típico arquétipo do enxadrista “Nerd” – óculos John Lennon, escassos fios de cabelos que supõe a ideia de um sujeito estudioso, sério – cercado de livros até onde a visão alcança. O típico dublê do Grande Mestre gaúcho Mequinho.

Enquanto todos enxadristas se preocupavam com o mito uruguaianense o multicampeão PLÍNIO, O JOVEM – candidato seríssimo ao título do torneio que comemorou o aniversário de Sant’Ana do Livramento outros candidatos foram se alternando no favoritismo durante as 11 rodadas nos quatro dias de disputa no ritmo de 15 minutos com dez segundos de acréscimo – detalhes técnicos à parte.

Cabeça a cabeça – ora Plínio e ora LUIZ ANTÔNIO BRANDT de Santa Rosa, no ladinho o menino prodígio santanense TIAGO BRAZ. E assim passavam as rodadas. Engrossando o couro dos que desejavam a todo custo liderar o certame vinham louco de sede ao pote o COICE DE JUMENTO (Carlos Eduardo Ramalho de Cruz Alta) e o uruguaio de Bella Unión HAMLET Araya.. Agarrados na saia do Brandt. Por mais que ele tentasse evitar à aproximação de seus perseguidores a situação endurecia a cada rodada.

Só que ao seu encalço apareceu um personagem novo. Brandt não conhecia. Era um tal de CAPINCHO. Mais uma investigada rápida descobriu tratar-se de Sergio Pintos Ruiz – outro uruguaio. Este de Paysandú.  Sua meta de ser campeão estava literalmente em xeque, perseguido por dois uruguaios que o ensanduichavam enquanto o COICE DE JUMENTO queria entrar nesta dança exibindo seu… bem deixemos para lá o atributo do nosso jumento para outra ocasião ou quiçá nem o citemos.

Coice de Jumento(ACIMA) com tração nas quatro ultrapassou não só nosso herói de Santa Rosa assumindo a liderança da rodada com meio ponto a mais e trouxe com ele o IMPERADOR TRAJANO, acredite outro uruguaio. O atual líder do ranking em Rivera. Até este momento o mestre de São Borja não havia dado o ar de sua graça. GUILHERME MORAES, vulgo GUIGAMORAES empacou no meio do pelotão e não ia pra frente nem pra trás.

A arrancada do Coice de Jumento estava mais para cavalo paraguaio do que puro sangue Cruz Altense. Liderou só uma pareja e logo perdeu fôlego. Estava de quatro e assim ficou quando caiu de primeiro para sétima colocação emparelhado com o oitavo Hamlet Araya.

E Brandt chega novamente à liderança – mas sustentada apenas pelo senhor Buchholz que não deixava Tiago Braz nem o Imperador Trajano que traziam de carona, no vácuo prestes a abrirem a asa móvel, Gustavo El HANINI, o CAPINCHO e um novo postulante a sair das sombras – JOÃO BATISTA CÉSAR de Santa Maria.

O BOM E VELHO AMIGO JOÃO BATISTA CÉSAR – pelo que verenos baixo… é a prova de reconhecimento de meu abnegado trabalho graciosamente em prol do xadrez – João Batista, não o MANDEÍSTA (O mandeísmo é uma religião étnica classificada por estudiosos como gnóstica, remanescentes até os dias atuais. Veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100 mil adeptos em todo o mundo) mesmo à distância nunca (desculpem aqui o termo coloquial) cuspiu no prato que um dia sua fome saciou ou quebrou um telhado que do frio uma dia lhe protegeu… Batista foi o único a se orgulhar de ter recebido, como outros tantos, uma mensagem pessoal de agradecimento pela participação e paciência de compreender os eventuais contratempos que ocorreram principalmente na primeira rodada deste 1º torneio Delivery lichess que o Bobby Fischer Xadrez Clube se arriscou a singrar por mares turbulentos outrora desconhecido. Um verdadeiro GENTLEMAN

 

CADÊ O MINEIRINHO?

Quieto como um camundongo para não despertar o gato da casa e se cuidando para não cair em nenhuma ratoeira – LUCIO NASCIMENTO LUCIMATE jogava para o gasto. Como sabia que todos observam e analisam as partidas dos outros, esta prática além de saudável é didaticamente lícita – ele até o momento não quis botar suas manguinhas de fora e atrair par si uma perseguição desnecessária. Tudo no seu tempo. Não era mineiro à toa.

OUTRO LÍDER!

Sexta rodada do terceiro dia. O relógio marcava 21h13min quando a classificação parcial foi anunciada e um novo emparceiramento divulgado. Desta vez o Buchholz trocou de dono e convenientemente passou para o lado do Menino Prodígio que iniciou a sétima rodada na liderança trazendo à tira colo Luiz Brandt com os mesmos 5,5 pontos. Não muito distantes e ainda nos retrovisores dos líderes vinham ganhando terreno HAMLED Araya., RAFAEL EL HANINI e o IMPERADOR TRAJANO. LUCIMATE era apenas o 15º naquela altura dos acontecimentos. Realmente pouquíssimos, quem sabe até ninguém – percebera que no torneio estava jogando um enxadrista de Minas Gerais.

ATÉ OS PÁSSAROS cantaram

A Manhã daquele domingo dia 26 de julho tinha tudo para ser especial para os cidadãos de Bella Unión. Seu ídolo amanhecera na liderança deste grande torneio que estava reunindo de forma virtual a seleta e privilegiada elite do xadrez do MERCOSUL. 09h00min HAMLED AYALA após tomar café, seus remédios de praxe, fez um bom mate amargo e abriu as cortinas do seu escritório. Com o Sol veio a claridade que iluminou o ambiente e ao ligar seu laptop o uruguaio logo reparou no canto de alguns pássaros próximos à sua janela que vieram saudá-lo enquanto o vento empurrava a cortina de seda branca fazendo ondas juntamente com seus cabelos.

HAMLED jogou duas rodadas dignas de um mestre. Poucos erros. Estava descansado da maratona dos últimos três dias. Na sequencia  venceu LUIZ BRANDT e empatou com IMPERADOR TRAJANO. Um ponto e meio em dois disputados e na briga direta pelo título Araya. considerou positiva seu desempenho naquele que seria o último dia de competição.

CAIU MURO DE BERLIM

Recapitulando. Se a sensação fosse essa pelo desastre ocorrido ao final da sétima rodada, certamente BRANDT estaria sendo guardado como souvenir de um tempo de quando era conhecido como enxadrista Muro de Berlim, quase intransponível.  Estava difícil para ele explicar o que sucedera. De primeiro e candidatíssimo ao título de repente cair e ser levado para o quarto por HAMLED Araya.. Atrás do próprio Araya., TIAGO BRÁZ e o IMPERADOR TRAJANO.

Sabia que o perigo a esta altura dos acontecimentos vinha de todos os lados. Os que estavam acima  paciência, cedo ou tarde poderia alcança-los – pois ainda faltavam quatro rodadas. Mas os de abaixo. Era um olho no peixe outro no gato. Se e descuidasse ficaria mais para trás ainda e a recuperação seria inevitável.

Seguido de perto e muito perto – praticamente em seu vácuo, os irmãos EL HANINI, Sergio Pintos Ruiz (CAPINCHO de Paysandú), Felipe Batista Ethur de Itaqui e até o COICE DE MULA – todos babando atrás dele. Com duas vitórias na sequencia – contra TIAGO BRÁZ e IMPERADOR TRAJANO o impensável aconteceu. BRANDT retomou a confiança e a liderança. Agora era jogar com a cabeça. Ser frio. Calculista. Ser mau e não mal. Não havia motivos para preocupações excessivas – duas partidas para o final. Ele era o cara. A bola da vez. Uma sexta de três pontos pelava a coruja. Simples.

 

ATINGIU A META

Que seria não perder na 10ª Rodada contra Felipe Batista Ethur que estava com 6,5 pontos e ainda jogaria de Brancas. Pelos seus cálculos seria uma questão de cumprir tabela. Era praticamente jogo jogado. Papinha de nenê. Só que BRANDT não considerou o fato de que o nenê em questão poderia não gostar de papinha e ele teria que gastar tempo se ocupando em descobrir como alimentar aquele filhote que acabara de adotar.

Por fim veio descobrir que filhote de tubarão nasce mordendo e o máximo que conseguiu foi imobiliza-lo e matar afogado. Para quem não sabe os tubarões caso fiquem imóveis morrem afogado. Não perdeu, mas também não ganhou. Como deixou escapar a vitória e com ela o amigo Buchholz acabou perdendo a liderança para o uruguaio de Bella Unión HAMLED Araya..

 

Ninguém havia reparado ou sequer analisado as partidas do mineirinho que abriu a última rodada em terceiro lugar

11ª RODADA

18h30min. Com o Sol anunciando que iria dormir ao oeste – teve início a última rodada. Muita Ansiedade. Expetativas. O título estava indefinido. Os mais prováveis campeão e vice estava entre HAMLED e BRANDT, ambos com 8,0 pontos e vencendo atingem 9,0 e vão desempatar nos critérios. Seus adversários nesta última rodada não são lá imbatíveis – LUIZ BRANDT enfrente RAFAEL EL HANINI com 7,5 pontos e Araya. o COICE DE JUMENTO com 7,0.

CAMPEÃO=OITO VITÓRIAS

Discretamente jogando na mesa três e com apenas míseros 7,5 pontos LUCIO NASCIMENTO enfrentou FELIPE ETHUR. Próximo as 20h00min a organização estava anunciando a grande surpresa do certame que teve poucos incidentes e contratempos devido ao fato de ser o primeiro torneio misto que o BFXC promove – partidas isoladas pela plataforma LICHESS e emparceiramento local pelo programa Swiss Perfect 98 no escritório do Bobby Fischer Xadrez Clube.

Ao derrotar seu oponente LÚCIO NASCIMENTO atingiu a mesma pontuação de HAMLED AYALA e LUIZ BRANDT sendo declarado campeão pelo primeiro critério de desempate: Número de Vitórias.

FOLEANDO PARA TRÁS!

Como nem sempre nos lembramos do que lemos ou de alguns acontecimentos, por exemplo, de um frondoso livro de algumas centenas de páginas – por vezes usamos o bom e velho marcador invariavelmente feito de cartão e que vem de cortesia quando compramos um livro e trás a propaganda do vendedor para não nos perdermos quando passamos da metade. Aqui cabe relembrarmos alguns personagens icônicos que desfilaram nestes quatro dias nas 11 rodadas deste magno torneio.

Plínio, o jovem que já foi citado nesta crônica – na primeira rodada, virtualmente na mesa 01 no comando das peças brancas teve pela frente o que costumam chamar de BYE presente, quando adversário é muito fraco e a vitória é iminente. Neste caso a vítima da vez foi Rafael, não o GG e sim Vieira de São Luiz Gonzaga.

 UMA PAUSA, GG?

Sim GG é como ficou internacionalmente o gêmeo Rafael El Hanini pelas suas conquistas e façanhas. GG não cultivou sua fama só em Santana do Livramento e Rivera. Foi rei soberano em outros pagos onde deixou incontáveis súditos e fãs. Em Bagé, Manoel Viana e Barra do Quaraí – só pra enumerarmos alguns feudos que por pouco não recebeu a chave da cidade e teve um busto em homenagem no pórtico destas cidades. E o GG de onde veio se em seu nome não tem esta letra? Não seria Gustavo El Hanini seu irmão gêmeo todas estas façanhas acima – uma vez que são idênticos. Cara de um focinho do outro.  Bem quase. Decodificando o enigma dos Hanini. O primeiro ‘G’ refere-se ao substantivo GÊMEO e o outro ‘G’ à sua GENIALIDADE no xadrez. Ajudando: GG Gêmeo Gênio!

A propósito, nesta primeira rodada GG – também de brancas, passou por poucas e boas na mesa 03 quando enfrentou um ídolo que se negava a jogar tamanha era sua idolatria diante do menino Ueslei Luan Fagundes de Manoel Viana. Mas vai que vai até que conseguiu fazer o adversário jogar e receber seu bônus – um sonoro xeque-mate.

E a partida do Plínio o que houve? Ah – cautela e canja de galinha nunca fez mal para ninguém. Só que o guri de Uruguaiana não considerou nenhum destes conselhos. Levou em banho Maria e quase perdeu para Rafael Vieira. Só não perdeu porque empatou. Desta forma não era um bom começo para um integrante da elite do xadrez rio-grandense. Teria que remar contra as mariolas e se manter focado para não cair em mais uma armadilha.

UM RUSSO NA PARADA

Seria Luiz Brandt uma figura de se assustar com fantasmas. Almas penadas talvez. E jogador com nome alemão e Nick russo? Há uma possibilidade – uma vez que sua linhagem remonta o Muro de Berlim e ele sabia que qualquer foragido daquela fortaleza ou era bandido ou gênio.  Já na primeira rodada apareceu diante dele um tal de Schmitowsky. Este nome, logo pensou Brandt era de algum GM russo ou da Alemanha Oriental. Atou a larga cabeleira para trás em forma de rabo de cabalo.  E esperou um iminente massacre. Além do mais estava de Negras e segundo o programa geralmente os melhores na primeira rodada jogam no comando das peças brancas. Uh, correu um frio na espinha quando nos primeiros lances coisa rara aparecia no tabuleiro.

Lá pelo meio jogo aconteceu algo raro. Ou o tal de Schmitowsky era um gênio ou estava jogando com auxilio de um programa desses aí espalhados pela internet que geralmente fazem estas jogadas raras prevendo lances além do que possamos calcular. Redobrou sua cautela. Logo pensou até em denunciar. Mas se manteve atento, mas com a pulga atrás da orelha.  Não acreditava em bruxas, porém em auxílio externo talvez. E se realmente fosse um GM (Grande Mestre).

No entanto suas dúvidas aos poucos foram esfumaçando e a verdade surgindo aos poucos. Aquele nome ao invés de representar um mestre, por fim veio a desconfiar tratar-se de um famoso bailarino da antiga União Soviética – Mikhail Baryshnikov. Assustou-se por nada.

 

As jogadas que seriam de gênio na verdade eram “pixotadas” – puro erro. E pensar que nosso favoritíssimo candidato estava com medo da sombra de um sexagenário capité (de São Leopoldo) que se escolheu um NICK dúbio que de noite é Maria e de dia é José. Neste caso a vida noturna ainda é um mistério, mas de dia podemos chama-lo de Norberto Schmidt, um competente Relações Públicas e jornalista formado na mesma Universidade de nosso redator aqui, eu jornalista Pedro Nicola.

Sendo homônimo do ex-presidente da Federação Gaúcha de Xadrez – o Luís Antônio Brandt – nosso herói aqui, que de bobo não tem nada  não disfarça a satisfação de atender quando alguns desavisados o cumprimentam e até o convidam para festas e jantares. Mas quase caiu no conto do fiado e entregou uma partida mais do que ganha. Norberto que nada tem a ver com s problemas do Brandt engoliu em seco e tocou a vida adiante. Ademais era apenas a primeira rodada de onze.

Fotos dos premiados

 

Fotos dos prêmios

 

 

Fotos dos confrontos pela plataforma lichess.

 

 

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