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Ele voltou à velha forma e Sant’Ana do Livramento, com isso, recuperou sua hegemonia no xadrez profissional – tudo graças a espetacular jornada d’Ele que nãoDSCF5969 (Copy) se intimidou com os vários campeõesNilo recebendo seu prêmio de campeão de J.J. Silva municipais de cidades vizinhas e dos mestres – do FIDE José Félix Campos da Argentina e do cubano Joel Chacón Pavon que disparados eram os favoritos ao título, com favoritismo incontestável para o argentino. Porém – enquanto todas as atenções estavam centralizadas nestes dois , corriam por forma Ciro Rodrigues – campeão alegretense de xadrez absoluto e um dos líderes do ranking gaúcho, Ignácio Marrero primeiro do ranking de Bagé, do ninguém menos que Tiago Pereira Braz – segundo lugar no brasileiro e campeão estadual nos jogos da indústria pelos Correios e outros tantos renomados campeões.

Promovido que foi pelo Bobby Fischer Xadrez Clube – este foi mais um inovador e dinâmico torneio psicodélico de xadrez que a cada edição ratifica sua eficácia tornando a competição extremamente dinâmica e indefinida até a última rodada  – uma vez que a eventual vitória contemplava com o dobro de pontos, que neste caso foi estipulado que o número era 174. O torneio foi disputado nas dependências do Salão Branco da Sala de Cultura Ivo Caggiani neste dia primeiro de novembro – e homenageou o cônsul do BFXC na Argentina – o Mestre FIDE José Félix Campos que chegou à cidade no sábado e cumpriu vasta agenda diplomática.

No entanto houve outras novidades de tirar o fôlego de qualquer aficionado ou competidor conservador. Este com certeza jamais encontrará monotonia nos torneios disputados em Sant’Ana do Livramento – sempre algo de novo há de surgir. Nesta disputa psicodélica ninguém estava fadado a sair do torneio sem marcar ponto – muito menos sem levar uma lembrancinha que consistia num abridor de garrafas personalizado com imã. Já os vencedores receberam canecas. Se a cada rodada o número de pontos ganhos correspondiam a soma dos tempos, o empate a metade – coube ao derrotado receber o número da rodada correspondente como pontuação. Por exemplo. Caso perdesse na primeira – receberia 1,0 ponto, na segunda 2,0 e assim sucessivamente até a sétima rodada.

Tudo praticamente transcorria na maior tranquilidade até o torneio tomar novos rumos. Até a quarta rodada nenhuma surpresa. Fortes vencendo os mais fracos. Porém na quinta o bicho pegou. Na mesa 01 – a considerada mais desejada pelos enxadristas, o Mestre FIDE argentino não houvera sequer sido ameaçado. Ele passeara majestosamente. E todos acreditam que foi este o seu castigo. Como as partidas até então estavam sendo relativamente fáceis – Campos não sentira a necessidade de recorrer aos seus fartos conhecimentos de mestre. Contudo quando sentou diante dele um contendor que mereceria maiores atenções, o argentino não conseguiu acessar seu banco de memória e se viu em maus lençóis. O tempo fechou para os pagos da mesa 01. O cubano Joel Chacón estava disposto a lutar pelo título e estava com a vantagem de vir empilhado – uma vez que suas partidas haviam sido infinitamente mais difíceis e sua concentração estava no auge.

DSCF6023 (Copy)Sem ritmo de competição – Campos logo teve que pensar – e muito. Joel, que nada tinha a ver com isso logo procurou explorar esta debilidade de seu adversário. Foram quase 50 minutos de muita aflição. Não só para os dois – mas para os “perus” que se amontoavam em torno da mesa. Porém eles não ostentam o título de mestre à toa. Mantinham-se indiferentes e ligados à partida. Espera aí. Ambos são mestres? O argentino é Mestre FIDE legítimo. Mas porque, então, chamar o cubano de mestre se ele não é. Acontece que Chacón pode não ter o título como Campos, mas tem a vontade e crê que joga como um e assim – sabendo um pouco mais do que o pessoal local começou a ser chamado de mestre e o título acabou sendo incorporado ao nome. Contudo a falta de ritmo finalmente cobrou seu preço e Campos fez um cálculo errado e a casa começou a cair. Primeiro quando trocou qualidade por número de peões. Ah – estes infantes que quando chegam até a casa oito podem ser promovidos à Rainha (Dama) ou qualquer outra peça exceto o Rei fizeram a diferença ao ponto de forçarem Campos a estender a mão e reconhecer a derrota.

Acredite. O Mestre argentino perdera sua partida e como consequência fora exilado da mesa 01 lá para 07. Uma decadência e tanto. O xadrez não perdoa derrotas. Neste esporte não só os bons sobrevivem, mas os ótimos. Na penúltima e sexta rodada no ritmo de meia hora para cada lado e 66 pontos em jogo Chacón teve um filé pela frente. Enfrentou no comando das peças brancas o representante de Bagé Mateus Stoll – ao passo que Campos – lá embaixo e fora dos holofotes teve como adversário um jogador mirim. Vontade de vencer até não teve. Mas Campos teve que se manter profissional e jogar. Para o menino era a glória. Imagina-se quando terá outra oportunidade de jogar e ter uma aula com um mestre da escola argentina de xadrez. Quiçá jamais. Pelo menos enquanto o BFXC não promover outro torneio e for prestigiado por grandes e renomados enxadristas. Deu a lógica. Os favoritos venceram e aguardariam o que os reservara a última rodada. Pelos prognósticos o cubano já se declarava campeão – porque já enfrentara os principais jogadores e pincipalmente vencera José Félix Campos o único adversário que realmente o preocupava.

O final de tarde anunciava sua chegada quando foi divulgado o emparceiramento da sétima e última rodada. 80 minutos divididos em dois temos de 40 com 174 pontos em jogo. Campos voltara para as principais mesas onde na 03 deveria enfrentar Juan Ospitaletch. Um jovem e promissor riverense de 35 nos. Desta vez o argentino veio com vontade e tão pronto liquidou a partida. Na mesa principal Chacón tinha – com o privilégio de jogar de brancas pela quarta vez tinha um contrafilé que não o preocupara. Só que Joel se esquecera das recentes partidas contra Tiago Braz. Mas o que fora dito assim não tinha volta. Nada estava decidido. Para ser campeão o cubano deveria vencer. Só que Tiago não estava disposto a entregar fácil ou romper uma tradição de belas partidas que lhe renderam belas vitórias.

Desta vez quem carregava o peso e a responsabilidade era o cubano. À sua frente o plácido e frio Tiago Braz que não se abatera com as pressões psicológicas e ações por vezes antidesportivas de seu oponente. Como se diz no jargão do xadrez. Tiago sempre fez a boa. Apesar de estar no comando das peças Negras quem estava em situação de desvantagem era Chacón. Tiago deu uma verdadeira aula de xadrez. No final, deu pena de ver Joel na iminência de ter contra si quatro Damas. Um massacre – no tempo e no tabuleiro. Tiago venceu – permaneceu na sexta colocação com 311 pontos e jogou Chacón de virtual campeão lá para baixo – no 17º lugar com 212 pontos. Quem não estava nem aí com estas disputas e foi beneficiado não foi o argentino que ficou em segundo lugar com 331 pontos, mas Nilo Cruxen que de mansinho foi fazendo seus pontos sem despertar a atenção dos demais e – com os incríveis 351 pontos foi o grande campeão do 1º Torneio Psicodélico Chess 379.

Mas não só de mestres, personalidades, campeões e estrelas se sustentou o evento deste primeiro domingo do mês de novembro. Além do comparecimento de uma nova safra de pequenos jogadores – todos são alunos de Joel Chacón, quem visitou O Salão Branco pode se deliciar com partidas espetaculares com finais cinematográficos.melhor Xeque-Mate do torneio

A grande obra prima foi o xeque-mate que Evaldo Saymom(foto acima, jogando de Negras) aplicou em Leonardo Araújo. No meio da partida – Evaldo, após pensar longamente colocando-se perigosamente na iminência de perder a partida no tempo caso sua combinação fosse errada – entregou sua valiosa Dama e jogou como se fosse o Mestre argentino. Sem nenhuma chance aplicou o mate mais espetacular dos últimos anos. Um risco calculado. Xeque-mate de cavalo. Coisa de gênio.  Esta foi a sequencia:

Araújo

Saymom

…..

Cxe5!

Cd6+

Re7

Cxb7+(desc)

Re8

Cxd8 ???

Cf3+++

Outro momento épico foi protagonizado pelo jovem ancião de Bagé J.J.Silva que no lto de seus 75 nos ainda joga de igual para igual contra quem quer que possa – e desta vez foi sua coragem em resistir que lhe rendeu o troféu “Rei Valente”. Seu conterrâneo Mateus Stoll mesmo com larga vantagem não conseguiu dar xeque-mate e venceu no tempo. Tiveram outros destaques como a inesperada terceira colocação de Rafael El Hanini com 326 pontos conquistados.

LINK FOTOS Expressões:

http://bobbyfischer.com.br/2011/?p=30197

LINK FOTOS  Premiação:

http://bobbyfischer.com.br/2011/?p=30255

LINK FOTOS  Confrontos:

http://bobbyfischer.com.br/2011/?p=30589

 

Classificação Final do Torneio

classificação final

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